Com elas se deu início… também selaram o fim
Sempre exibidas com orgulho, no vaso bonito, enfeitando a minha vida…
rosa vermelha?? √Č a flor do amor!!!
Ah!!! mas sempre a mesma flor? Dá outra coisa, sei lá… girassóis!! Sempre gostei tanto deles!
Mesma flor, mesmo amor… sempre o mesmo… que terminou se mostrando ainda maior de todos…
as maiores rosas, com o maior amor… foi assim? ou era só coincidência de flor?
sempre iguais… não havia mudança… pra que mudar, se estava tudo perfeito?
Afinal, vivíamos num mundo encantado… onde, como João e Maria, como nos contos de fadas,
seríamos felizes para sempre…
Às vezes parecia um sonho…

Sonho que estou num campo lindo… que estação será essa?
√Č primavera!!! Olha o sol brilhando! as flores desabrocham‚Ķ
rosas, sempre rosas… e estão mais vermelhas do que nunca!
atrás delas surge um vulto… e eu não sei ao certo quem é…
alguém querendo entrar na minha vida?
sinto medo… e corro pelo campo… vou vendo toda a minha vida pelo caminho…
vejo a primeira rosa…
veio um s√≥ bot√£o, porque voc√™ disse que buqu√™ era pra ocasi√Ķes especiais‚Ķ
e foi segurando um buquê, na esquina da minha rua, que apareceu você…
eu estava fazendo 18 anos!
ando mais um pouco e olha só: um mês de namoro!!! Rosas vermelhas…
passeio no Ibirapuera… mais um botão…
Dia dos namorados!!! e mais outro aniversário, e mais buquês, e datas especiais…
eu ando, ando… e só vejo rosas, por toda parte…
me encanto com a maciez das pétalas… a beleza das cores… e me distraio…
então tropeço… e caio! Em cima dos espinhos…
tantos espinhos de repente nesse caminho! Como eu n√£o reparei neles?
E me machuco… o sangue escorre pelo meu corpo… vermelho como as rosas…
meu coração também sangra… mais que tudo…
e começo a chorar!!! E procuro aquele vulto pra me ajudar… aceno, grito!!!
Cadê você??? Por que não vem me ajudar?
Não vê que estou sofrendo, chorando, sangrando, quase morrendo?
E então desperto… acordamos… Que estação é essa?
As esta√ß√Ķes mudaram? Eu nem percebi‚Ķ
N√£o era mais primavera quando a √ļltima p√©tala de rosa vermelha caiu‚Ķ
mas eu nem liguei… as rosas morreram… e daí?
eu nem gosto de rosa…
quero esquecer…
Que estação é essa? Sem rosa, sem amor, sem nada…
tá frio… um aperto aqui dentro…
às vezes choro…

E hoje, o que eu poderia oferecer a você?
Talvez aquilo que você sempre tentou me dizer… sem palavras…
com as famosas rosas vermelhas que eu tanto odiei…
Elas falam uma linguagem que eu jamais entenderei…
ou porque você não soube se expressar,
ou porque eu não me esforcei para compreender…

ROSAS VERMELHAS PARA VOCÊ!!!

PS1- resgatei hoje um dos meus primeiros textos, de 2002. Na verdade, uma carta para um namorado.
PS2- pensando bem, me aprontaram tanto depois desse namorado e eu gostava tanto dele que as rosas vermelhas viraram um ‚Äúproblema‚ÄĚ t√£o bobo‚Ķ
PS3- não é filtro: a foto já tem 19 anos
PS4- prezado ex-namorado: se quiser mandar rosas vermelhas (t√°, eu ainda tenho minhas restri√ß√Ķes), a gente pode repensar o passado e‚Ķ por que foi mesmo que a gente n√£o casou?

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