Meio rosa, meio azul
Meio dia, meio noite
Meio iluminado, meio escuro
Meio quente, meio frio

Começa o barulho dos ônibus, os passarinhos vão se aproximando e eu ainda nem fui dormir.

Fiquei observando… já passaram uns bons pares de horas e ainda estou aqui.

Estou meio faminta, mas vou tentar me conter: serei “a” atleta do bosque do Brooklin em 2021.
Claro, vou andar se o bosque não estiver muito cheio nem muito vazio, nem pouco escuro, se não estiver quente, mas só se não estiver frio. De máscara, luvas, mas isso eu não ligo: é como se fosse um uniforme escolar e ainda tem a vantagem da gente poder usar qualquer coisa que não faz diferença porque ninguém nos reconhece. Um dia desses vou resgatar minha fantasia de unicórnio pra fazer o teste. Se não ganhar o concurso pela distância percorrida, arrasarei no quesito “figurino”.

Ai, que preguiça… acho que vou comer meio pedaço de bolo que sobrou e tentar dormir pelo menos um pouquinho. O bosque nem deve estar aberto ainda.

Droga! Comi aquela metade enquanto espreitava pela janela e nem reparei. Dei uma bronca em mim mesma.

Se eu não estiver muito cansada e se não chover, amanhã darei uma volta no bosque pra queimar psicologicamente as calorias do bolo. Já aproveitando que é caminho, irei até a loja comprar mais um pedaço. Se não chover. E, se chover, me apegarei a alguma entidade que soprará nos meus ouvidos: “coma!”. Eu que não vou arranjar treta com entidade!

Se estiver parecendo que vai chover, comprarei um pedaço pra mim e um pra “entidade”. Meio a meio e não se fala mais nisso.

Por Ivy Cassa