Difícil ser precisa sobre o momento em que virei fã de Caetano. Ele sempre esteve lá, desde que nasci. Cresci ouvindo os LPs da minha mãe, alguma trilha sonora de novela, mas confesso que vergonhosamente eu só fui me apaixonar verdadeiramente por ele quando criei um personagem “Caetano” para meus contos e livros de autoficção.

Bem, na verdade, não sei dizer se me apaixonei pelo Caetano Veloso porque o não Veloso tinha um quê de Caetano de ser que me encantou, ou se me apaixonei pelo não Veloso porque para mim ele era o mais viável que eu podia ter às mãos em se tratando de “Caetano”. Paula Lavigne, entenda isso como uma homenagem de fã, e não como uma fura olho.

Caetano Veloso tem mais do que o dobro da minha idade e umas 10 vezes mais a minha juventude. Lamentei porque na love não teve o seu “sambinha”. Acho fofíssimo quando ele faz pequenas confissões, como “não lembro dessa letra, não sei cantar essa música”. Caetano, mesmo que não saiba, sabe mais do que a maioria de nós.

Eu não soube escolher “a música da live de Natal”, mas Caetano me quebrou as pernas logo de largada com uma canção que achei linda e eu não conhecia – Muito Romântico.

Me arrepiei com a música de Lisbela e o Prisioneiro, que há tempos não ouvia. Achei o máximo a música que fala sobre escrever uma ieieiê romântico para ela para lançar depois do carnaval.

Leãozinho é um hino. Trem das cores, uma saudade. Tempo tempo tempo tempo é o nome do último capítulo de “Devaneios de uma Pandemia”. Porque é difícil escrever sem falar de Caetano. Desse ou daquele, cada um entende do seu jeito.

Noite de cristal foi uma surpresa. “Peço dias e outras cores. Alegrias para mim. Pra o meu amor e meus amores.”

Quando Caetano está por perto tudo que a gente escreve fica minúsculo. Então tomo a liberdade de pegar emprestado do próprio Veloso um verso e encerrar esse relato da melhor live da ano na minha opinião.

“Acho que nada restou para guardar ou lembrar
Do muito pouco que houve entre você e eu
(…)
Canto somente o que não se pode mais calar. Noutras palavras, sou muito romântico”. (Eu, romântica)

Por Ivy Cassa

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