Bruno Covas lutou e continua no jogo com uma força que talvez nem 1% das pessoas que conheço teriam se estivessem enfrentando uma doença como a dele.

Não é preciso ser médica para reparar sua paradoxal aparência de quem tenta disfarçar uma bizarra normalidade, embora eu possa apostar que ele se dissolve em seus raros momentos de descanso.

Possivelmente, só os mais atentos notam a opacidade do seu olhar, que camufla uma luta diária e constante – pela vida e pela política – que nem sei se eu própria me daria ao trabalho de abraçar – tem gente que desiste por tanto menos…

Independentemente da doença, dos privilégios médicos a que ele teve acesso pela sua posição social, e mais ainda sem qualquer posicionamento político – porque a única censura que existe neste blog é para fanatismo político, religioso e afins – eu aplaudo o paciente Bruno.

Podem me rotular, bloquear, cancelar, mas meu ponto é o ser humano e a doença, não a política – e, por favor, não encarem isso como alienação. Minha visão é só o testemunho de quem já viveu situação semelhante com o marido.

Não escrevo para defender ou tacar pedras em Covas ou em Boulos. Nem minha mãe sabe em quem votei. Muito menos redijo crônicas para apregoar que os travadores de batalhas médicas diárias deveriam ser os vencedores – eles não são café com leite; serão ou não campeões políticos pela sua capacidade, não pela doença (espero).

Vendo, ainda que muito de longe, a trajetória do Bruno, vislumbrei algum traço em comum com meu marido: Pedro não se apequenou perante o trabalho, mesmo ouvindo selvagerias como “você é uma bomba relógio prestes a explodir”. Creio que Bruno também não; não o vi usar a doença como desculpa para vencer. Pedro também se esmerou no trabalho para não desapontar clientes ou frustrar chefes – na verdade, nunca trabalhou tanto. Foi inclusive promovido durante o transcorrer da doença – não como um prêmio de consolação por ela, mas por empenho e inegável competência. Como quero acreditar que Bruno também tem. E com muito respeito a quem está tirando forças nem se sabe de onde.

Pedro teve uma passagem meteórica pela Terra – que não desejo nem ao Covas, nem ao Boulos. Fiquei viúva de um marido jovem – provavelmente, hoje teria a mesma idade do Bruno. Pedro não era rico, embora contasse com algumas regalias: teve o privilégio de se consultar com sumidades da especialidade de sua doença, realizar exames complexos, se internar em verdadeiros hotéis hospitalares, mas, ainda com esses recursos não teve jeito: não há hospital fod@astico nem remédios de 10, 20 ou 30 mil reais – cujo valor não tínhamos como pagar – que mudassem seu destino: era um tipo de câncer incurável e em estado preocupantemente avançado. Pedro precisou partir. A dor da perda em um hospital de rico, que concedeu o “luxo” (?) de emitir um atestado de óbito assinado por um médico da equipe dos “endinheirados” não trouxe Pedro de volta nem aplacou minha dor. Além do mais, a morte não tem luxo nem privilégios.

Quando vejo Bruno pálido, mas firme, me lembro da caminhada arrastada do Pedro até a empresa em que trabalhava. Me cortava tanto o coração que desejava ter forças para carregá-lo nos braços, e pulso mais firme para sugerir a ele para largar mão de tudo. Não era hora de cuidar de outro tema que não fosse sua saúde. Apesar de tudo, ele não havia perdido o entusiasmo – o trabalho o dignificava.

Desejo ao Bruno um destino completamente diferente do que presenciei com Pedro: com muita saúde, paz, serenidade, e que tenha forças para se recuperar e cuidar da nossa cidade que está tão largadinha… Precisamos de gente que põe a mão na massa mesmo quando o bolo está desendado. Sugiro também que não menospreze os limites do seu corpo – não somos super heróis. Nosso corpo fala o tempo todo. Outras vezes, grita e esperneia. E, em alguns casos, ganha a discussão na base de rugidos. Que não seja esse o seu caso!

Este não é um texto político, repito. É sobre seres humanos, fragilidades, dor, força de vontade e empatia – até com quem os seguidores não simpatizam. Ser portador de uma doença grave não é desculpa para ganhar votos nem cargos, tampouco pretexto para espezinhamento envolvendo causas não políticas.

Mesmo sem revelar minha posição política, parabenizo o Bruno e desejo sucesso na sua jornada – afinal, sou paulistana e desejo que minha “casa” seja bem cuidada.

PS. Leitores: comentários agressivos ou de cunho político serão bloqueados por infringirem as regras de Compliance do Portas Abertas e também escaparem ao escopo do Blog. Há outros fóruns para ataques a políticos.

(Por Ivy Cassa)