Eu prometi que não escreveria para você. Escrever sobre o quê? Sobre fuga? Gozo? Medo? Fantasia?

Mas eu entro, você entra. Você entra, entra e entra. Eu entro e vejo, sabe… sei que isso não serve de nada, mas não chega a ser de todo ruim. É o tal do gozo, né? Rá! Fiz uns tantos cursos em 2020; a pandemia pelo menos me serviu pra entender aquelas palavras cifradas que vc usava pra não ser muito você.

Você entra por medo? Por saudade? Por estratégia? Por arrependimento? Eu entro porque é minha casa. Porque os outros também entram: não como você, mas entram.

Quer notícias? Quer saber se ainda trabalho como advogada? Se já sou reconhecida como escritora? Quais os meus livros que estão no prelo? A data de lançamento do que está mais próximo? Em quantos deles você aparece? Se não aparece mais? Se arranjei um psicanalista pra chamar de meu? Se já descobri seu endereço e estou na iminência de te mandar um potinho de cupuaçu? Se conheci alguém tão incrível que só lembro de você pra fazer deboche? Se ainda uso o robe azul pra aquecer minha solidão? Se maratonei os poemas do Bandeira? Se testei positivo para o Covid? Se chorei na pandemia? Se uso máscara? Se tenho saído para badalar? Para onde foi minha última viagem? Para onde será a próxima? Se ainda choro de saudades? Se comecei a curtir unhas do pé compridas? Se deletei a nossa playlist do celular? Se alguém descobriu que vc é meu personagem? Se os que se acham meus personagens já descobriram que não são você? Qual música embalou minha pandemia? Se quarenteno sozinha ou nos braços de um outro qualquer? Quantas vezes tomei duas taças vezes quanto?

Quantas dúvidas, doutorzinho… E quem está interessado nisso mesmo?

Mande 5 clicadas no texto que acha que te (nos) representa, que eu e somente eu verei. E pensarei na possibilidade de responder a alguma dessas perguntas.