Liberdade é uma coisa tão boa que qualquer explicação sobre ela é incompleta.

Acho que não existe liberdade plena. Se você trabalha pra alguém, esse alguém vai tolher a sua – ou o chefe ou o cliente. Dependendo de como for, isso pode ou não ser um problema. Se você é casada/o, enrolada/o, também é relativo. Sair sem o outro é liberdade? Depende. Uma vez me contaram um ritual bizarro: a mulher deixava o marido viajar, desde que todo dia, às 23h, mandasse uma selfie dele na cama indo dormir sozinho. Ele fazia a selfie e saía pra bagunça. Acho que ele não tinha liberdade, e ela tinha uma falsa sensação de que tinha o controle. Achei triste.

Liberdade tem a ver com o jeito de se vestir, com os cuidados ou relaxo que cada um tem com seu corpo, com hora de dormir, onde dormir, com quem dormir, dormir ou não dormir, tudo isso também relacionado à comida. Tem a ver com viajar sozinha/o ou não, com poder escolher viajar ou não, com ou sem alguém e pra qual lugar ir. E com tudo isso, percebo que ter liberdade não tem só a ver com coragem, mas também com independência, inclusive financeira. Salvo engano, é mais ou menos isso que a Virgínia Woolf fala no livro “um teto todo seu”. Dei até uma palestra sobre esse assunto e o livro, que deve estar perdida em algum vídeo do YouTube.

Pra não dizer que não falei de uma das papisas do assunto “liberdade feminina”, arremato com um “Minha liberdade me remoça vinte anos”. Da Simone de Beauvoir, claro. Do livro “A mulher desiludida”. Não sei dizer se ela era ou não desiludida, mas livre, ainda que com todas as ressalvas da sua época, parece que sim. Ou pelo menos tava abrindo caminhos pras mulheres do futuro.

Rapazes, tudo isso vocês lembrarem que libertinagem não é liberdade. Desculpem, sei que não são todo que fazem essa confusão, e que os confusos nem terão chegado até aqui porque já se perderam só pela foto, deram um like e f@da-se.

Mas eu precisava:

libertinagem –

substantivo feminino

licenciosidade de costume, conduta de pessoa que se entrega imoderadamente a prazeres sexuais; a prática do libertino.

Qualquer uma que for independente, pode ser uma libertina. Direito dela, problema dela. Mas lembrem: liberdade é liberdade, libertinagem é libertinagem e nos respeitem por favor. Obrigada

Ivy Cassa

PS. Aos chatos de plantão: a foto é antiga. Neste ano eu acho que nos roubaram a liberdade de sair sem máscara, de viajar e de deitar no chão sem que isso vire um BO, uma crise de pânico ou uma fofocaiada no grupo dos que não têm o que fazer.