🎶 Eu uso gorro. Dentro de casa… Volta e meia, acabo de lavar o cabelo – porque a ordem agora é lavar tudo, incluindo pessoas e seus acessórios, tipo cabelos – e sinto um frio quase polar. Creio só ter sentido frio assim em outros países em que há frio de verdade, embora talvez minha mãe tenha outra opinião: o lugar mais frio do mundo é a sala do escritório dela, e não Chicago em fevereiro. É um mistério que vale a pena ser estudado. ⛄️

Pode estar 13 graus, mas a minha sensação interna diz que são 5. Ah, e a da minha mãe é de -10. ⛄️😱⛄️😱

Se o gorro passar uma noite de sono sem escorregar, cabeça e orelhas amanhecerão agradecidas. Fico parecendo um bonequinho de neve: redondinha no corpo e no rosto. Com o gorro espremendo minhas bochechas a cada dia mais róseas.
Ao levantar, me depararo com minha própria imagem no espelho (já sem gorro) e percebo a mutação: de boneco de neve a espantalho. E que precisarei lavar o cabelo de novo. É um típico exemplo do “dia da marmota”.

Se estiver com algum problema (coisa rara nessa pandemia), use gorro e se sentirá quase acariciado. 👨‍🦳💆‍♀️💆 Se o problema for muuuito grave, não use gorro. Você ficará literalmente de cabeça quente e ainda precisará lavar o cabelo maaaaais uma vez.

🎵 Eu não nasci de gorro. Eu não era assim não. 🎵 Até uns 4 anos de idade, eu usava muito gorro (não pra dormir), mas porque tive otite recém nascida e minha mãe me ensinou a ter tanto medo de otite quanto das manchas de amora e mais ainda do que do velho do saco. Mas usava porque era obediente. Hoje, com 38, voltei a ser obediente. Quase sempre obediente. Um tanto desobediente, mas conquistei pelo menos a liberdade de usar gorro em casa.

Taí: posso me reinventar me fazendo de estátua viva na rua e ganhando uns trocados pra isso. Ah, esqueci que isso era na broadway, mas na falta de voos e dinheiro, tenho quase certeza de que no centro de São Paulo tem e eu seria uma pioneira, quase o Olaf da Praça da Sé. ⛄️

Se tou alegre e tá frio, uso gorro. Se tou triste e tá frio, uso gorro. Até chegar o verão: talvez o frio e o covid passem e eu já possa arranjar outra mania esquisita. 🤶

🎶”Por que você não olha pra mim (ô ô)
Me diz o que é que eu tenho de mal (ô ô)🎶

Por baixo desse gorro tem uma pessoa legal. Quarentenando, enquanto um monte de gente já chutou o balde. E por dentro dessa pessoa, também bate um coração. Com saudades, solidão e frio na cabeça que reverbera até ele ❤️.

Por Ivy Cassa

P.S. Este foi escrito inspirado na música “Óculos”, do Paralamas do sucesso
P.S. 2 – essa deve ter sido umas das poucas vezes na vida que andei de bicicleta 😬

P.S. Quer conhecer mais das minhas quarentenices? Tem um bocado delas no meu novo livro

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