Nesta foto eu tinha acabado de ouvir uma voz dizendo:

“Daqui a 2 anos você estará em casa, farta porque há meses não sabe o que é ir a um restaurante, viajar, visitar, ir à academia etc. A maioria dos seus amigos não serão mais, e outros que não eram passarão a ser. Você só sairá de casa se for imprescindível, de máscara, cabelo preso e calças de ginástica – não para fazer ginástica. Alguns dias, sairá de luvas e touca de natação e não se importará muito com isso. Engordará 10kg e perderá 80% do seu guarda-roupas. Sua casa será mais exposta do que se estivesse na Casa Claudia e não haverá um único canto sem bagunça – exceto os “cenários” de aulas, reuniões e palestras que passarão a se chamar lives e serão gratuitas – ah, e trocará seus vestidos por calças de pijama e camisas que ainda abotoarem. Aprenderá a diferença entre um álcool 40 e 70, descobrirá o que é limo, explorará sua área de serviço e encontrará artigos que você não faz ideia de pra que servem – qual a diferença de um veja pra um pato purific? Trocará os dias pelas noites mas com intervalos, e passará (já passava, mas por outros motivos) a dormir com um caderninho ao lado para não confundir o que é sonho do que é realidade. Seus grupos de WhatsApp que eram usados pra contar encontros com crushes miados, marcar bebedeiras e partilhar dicas de rejuvenescimento passarão a ser fontes de informação sobre como limpar um espelho sem deixar fiapinhos, como trocar lâmpadas, saco de aspirador de pó e se Vonau ou Dramin são mais indicados pra hora de limpar o ralinho da pia. Terá 2 livros não jurídicos publicados: um sobre a sua viuvez, outro sobre uma tal de pandemia. Terá medos esquisitos e sobretudo muita saudade. Não só de Joinville e das viagens, mas da liberdade que sempre te acompanhou.”

E eu ri. “Só se eu estivesse num filme de ficção científica, né?!”
😄🤔😔😷😭