Acompanho diretamente, como prisioneira numa cela, há quantos dias estamos confinados. Confio em um amigo que todos os dias nos lembra e, se as contas dele não estiverem erradas, já são 116.

Depois ligo pra minha mãe confirmar se o dia que eu acho que é, é mesmo. Quando estou acordando ela já está quase na hora do almoço. E quando eu almoço é que uma amiga quarentener acorda e me faz companhia até a hora que tento dormir – que é sempre cedo mas acaba sendo bem tarde. No meio disso tudo, tem outra amiga que precisa sair pra trabalhar todo dia e volta pra casa lá pela hora da outra que está acordando. Mas a gente se entende e troca dicas sobre secadores de salada, panos umedecidos com álcool, métodos para juntar menos louça, otimização da lavagem de roupas, como quarentenar seus recebidos, como vencer o medo dos botões do elevador, dentre outras dicas – não culinárias.

Tem dia que a fome ou falta de apetite persistem o dia inteiro. Outros em que o que como de uma só vez dava pra guardar pra pelo menos 3 dias. Sempre uma escolha de Sofia: janto 4 vezes ou não durmo de tanta fome? Opto pela primeira. Mesmo assim não durmo e tenho certeza do trabalho que vai me dar voltar ao antigo normal e parecer normal enquando as pessoas nem sabem o que é o tal do “novo normal”.

Ivy Cassa