Neste ano completei 38 páscoas. Não foram 38 invernos, outonos, primaveras ou verões. Foram 38 páscoas.

Diferentemente do Natal, nessa data eu não ficava com pânico da comida à mesa porque adoro bacalhau e nem passava o cheirinho do cadáver do leitão. Quer dizer, vou adorar até o dia que eu vir um bacalhau fora do freezer do supermercado, mas eu sou da doutrina de que cabeça de bacalhau não existe. E ainda tenho fé que até lá já terão inventado tofu ou algas sabor bacalhau. Aaaaaa-mém!

A melhor lembrança das minhas páscoas eram os ovos com conhaque e gema de ovo da Kopenhagen – eu sei, é esquisita a combinação, mas eu nunca te disse que eu era normal, né?

Outra lembrança muito especial foi um ovo de páscoa que a Tia Sônia fez pra mim, quando veio aquela moda dos ovos com cachinhos de uva feitos de chocolate por fora. Era tão mas tão mas tão bonito que eu travava como uma obra de arte. Intacto. Se pudesse, mandava pro acervo do Louvre e tudo bem. Até que um dia meus pais me encorajaram a desapegar. Talvez, tenha sido assim que eles me prepararam para o luto. Tudo passa, mas as coisas boas deixam saudades. Eu tenho saudade do ovo da tia Sônia. E dos ovos feitos de ovos. Acho que vou levar a questão ao psicanalista na próxima sessão, se eu ou ele não morrermos de coronavírus.

O primeiro namorado namooraaaaaado que eu tive, tinha 23 e eu ainda 16. Ele já tinha uma bolsa de estágio e eu ganhava uma mesadinha da minha avó. Claro, economizei quase tudo pra comprar um ovo de páscoa da Kopenhagen, pois eu achava que amor se definia por cifras. E não conhecia nada no Brasil que fosse melhor que a Kopenhagen.

Causou algum desconforto quando, orgulhosa, tirei meu superlindomegachocante ovo da Kopenhagen e ele me deu tipo um ovo Pan – ou algo parecido. Hoje, devo ter amadurecido um pouco e não criaria caso por isso. Mas no dia… ui! Sabe aquela expressão? “Eram só ovos de páscoa que voavam”. Sabe também do malhar o Judas? Foi inspirada nessa nossa páscoa.

Enquanto durou meu casamento, logo na nossa primeira páscoa juntos, concluímos que nossos gostos pra ovos eram diametralmente opostos. Passamos a cada ano comprar o seu próprio ovo e assim éramos quase felizes.

Mas o meu grande trauma da escola foi quando me escalaram (digo, minha mãe sugeriu) para ser a coelhinha das turmas mais novas e distribuir ovinhos. Eu era a própria Bridget Jones. Não era sexy esteticamente e nem agradável aos olhos. Arremessaria os ovos nas crianças nas crianças chatas, num salve-se-quem-puder por puro medo de que algum dos representantes da Turma I, II ou III do Bullying me descobrisse e eu passasse a eternidade conhecida como “Ivy Cassa Coelho”. Socorro!!!

De qualquer forma, o clima anda tão triste por causa da pandemia, que eu prometo mandar uma foto vestida de coelhinha para o inventor da cura ou da vacina contra o Covid-19. Isto é, se eu não tiver engordado uma arroba até lá (nota da autora: arroba aqui quer dizer arroba e não @. Se isso acontecer (eu engordar e a crise continuar), aproveite pra maratonar Peppa Pig.


Boa sorte, leitores. Se cuidem!

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