Tou triste, mas não dá pra apontar o dedo pra uma promessa só: foi ELA a culpada! Um concurso de promessas malvadas me deixou assim.

Tou triste por causa das promessas que me deram espasmos súbitos de felicidade: do André que prometeu um fim de semana num chalé na neve com os pais dele, mas afinal ele esqueceu de dizer que a namorada dele que eu nem sabia da existência também ia. Do Bernardo, que prometeu uma semana esquiando na neve com os filhos dele e mandou um “a gente vai se falando” depois de um dia. Ando desconfiada que seja moda fazer promessa envolvendo água em precipitação de flocos em estado de gelo .

Tou triste porque o Carlos prometeu uma lua de mel de 4 dias, e no segundo esqueceu que eu existia: “mas o quê eu vou passar o dia in-tei-ro fazendo com você?” “Nem o dia, sequer a vida, Carlos…”

Tou triste não só por mim, mas por todos que passam suas jornadas longe de quem amam, sufocados, mas creio que orgulhosos. Pena: vida curta, um só respiro pra tanta promessa sem cumprir ou que podia ser cumprida como se lambuza com uma delícia.

Tou triste porque prometi pros meus amigos e pra minha mãe que não ia mais chorar por acreditar em promessas da boca pra fora, mas elas ainda jogam sujo comigo e me seduzem. Promessas são flautas mágicas com notas de falsidade.

Tou triste por causa do protagonista que jamais fez qualquer promessa na hora do show e eu nunca entendi porquê – nem uma promessa vaporosa, só pra não ficar tão chato! Tenho até um tanto de raiva de mim; nunca fui digna de ganhar uma promessa de presente dele? Tou falando uma promessa, não de um vestido de seda ou de um anel de turmalina! Só uma promessa…

Tou triste porque às vezes me pego em dúvida entre tantas promessas, nuvens desfeitas, e talvez nem eu tenha ideia do que fazer com elas.

Tou triste porque tive de dizer não ao Daniel, que me apresentou uma promessa até interessante. Só que o pedágio pra aceitar seria eu ter de deixar de ser a Ivy, e eu não aceito promessas assim.

Tou triste por causa do Edu; a gente tinha até expectativa. Mas, afinal, nossa química foi tão “melancia com sal” que dei graças a Deus dele não ter feito promessa alguma.

Tou triste. Tou bem triste. Uma tristeza evidente nas fotos. Quanto maior o sorriso, mais dilacerada por dentro. Quanto mais brilho no olho, desconfie: é promessa que virou poeira e necessidade premente de recalcular rotas.

Tou triste porque me vejo cada vez menos acreditando em promessas. “Imagine, a Ivy, uma sem promessas – as pessoas vão dizer por aí.”

Tou triste porque talvez essa coisa de fazer promessas já esteja fora de moda. Os laços estão mesmo frágeis, frouxos… Quando fico muito triste, não quero prometer nada. E isso entristece meus amigos e minha mãe.

Desculpem. Eu vou melhorar. Prometo! E a gente vai se falando…

(Ivy Cassa)

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