Começa com um checkin apressado na pousada ”pé na areia”, um par de malas arremessadas no canto do quarto e desfeitas de qualquer jeito.

É um par de chapéus que caminha de mãos dadas até a praia.

É um biquíni de lacinho que se emaranha no cordão da bermuda florida dele quando bate a onda do mar.

É um beijo molhado, salgado e meio gelado. É um arrepio no umbigo.

É um biquíni de lacinho que sai do mar bem antes da bermuda florida porque ela precisa se recompor antes de chegar à areia.

É uso de pretexto de espalhar melhor o protetor só pra acariciar partes do corpo que se eriçam.

É areia que esfolia de leve o pescoço enquanto mãos passeiam por corpos besuntados de protetor solar.

É uma tornozeleira de búzios na perna esquerda dele arranhando uma tatuagem de henna que ela fez no pé com o nome dele.

É uma língua embebida em caipirinha de maracujá e adoçante enrolada em outra língua com cachaça, limão e muito açúcar.

É um par de sandálias havaianas dormindo de conchinha com um de rider embaixo da sombra da cadeira de praia.

É um cabelo loiro preso em coque embaraçado nos pelos dourados do peito dele.

É um banho compartillhado e demorado. É um passeio de mãos com espuma sem gps sobre marquinhas de bronzeado.

É locão pós sol esparramada pelos ombros.

É selfie com dois roupões de banho.

É um sono ao som de pernilongos e “Wouldn’t it be nice”.

Affair de verão não faz planos para as compras do supermercado da semana, não dá pela falta do detergente nem do papel higiênico.

Não tem ciúmes de mensagem de WhatsApp nem stalkeia.

Não conhece sogra, chefe, cueca furada, pijama de flanela, máscara de carbono, calcinha de ficar menstruada, meia antiderrapante nem cheque especial

Affair de verão é como o amor. Ou como o amor deveria ser.

A diferença é que o affair de verão acaba no checkout da pousada pé na areia.

Ivy Cassa