Eu desconfio quem seja você, que invade esta página 172 vezes em uma única manhã, sem deixar um alô. Você não é de dar alôs. É de sinais e pistas. Mas traz esperança e lembranças quando visita.

Sei que não devíamos ter feito aquilo. Não sei se você é do bem ou se do mal. Se é do bem e me quer mal, se é do mal e me quer bem. Eu sou boazinha quase sempre. Se a conversa conseguir ser boa pelo menos aqui, podemos ser do bem juntos. Ser bem juntos, quem sabe. Podemos pensar em um dia voltar a ser nós.

Sai detrás desse muro: não aprendeu que é feio espiar os outros? Será uma espiadela de saudade? Uma overespiadela de quem queria gritar na porta só pra se fazer notar? Se você for mesmo quem eu desconfio, poupe-se. Eu sei de você mais do que imagina. Noto até quando você acha que não há nada pra notar e que é um anônimo neste planeta.

Vem cá, entra. As portas estão abertas para os meus amores e entreabertas para os indecisos.

O que não dá é pra ficar do lado de lá. Se tá desajeitado pra vir – eu também estou – coloca um disfarce e vem. Eu sei que você quer vir. Pelo menos um “alô”. Depois a gente decide o resto.

(Ivy Cassa)