(Continuação do texto anterior)

São aqueles que pensaram que tinham se reconciliado, mas estavam enganados.

São viagens de lua de mel com promessas que um fez ao outro, mas esqueceu de cumprir. São muros que se ergueram onde um dia foram mãos dadas no calçadão da praia.

São quando o desinteresse de um afasta o afeto que poderia ser deles. São presenças rarefeitas. Águas fugidias. Aventuras que se revelam emboscadas. Estradas livres que não passam de labirintos sem saída.

São saudades que no início se sacolejam nos ponteiros de um cronômetro!!! Depois, em um relógio de pulso! Até que se acomodam nas folhas de um calendário de papel… São notícias de uma vez por semana, daí então a cada mês. Já passou tanto tempo que nem são mais notícias, são recortes de um jornal velho, nem pra forrar o chão na pintura de casa servem.

São mensagens não respondidas. São a ausência de respostas que traz frustração. São frustrações que viram machucados. São feridas que alteram humores. São humores que transformam brisas em furacões. São furacões que descarregam ofensas. São ofensas que se tornam pretextos. Era só o que faltava! Mentira. Não faltava porque não tinha. Nunca teve.

São a criação de uma doutrina que apregoa que a vida será melhor sem a lembrança daquela camisa azul dele ou daquele lenço de seda dela. São umbigos que não causam mais risos. É a intensidade que passa a ser chamada de exagero ou destempero.

São músicas que deixam de ser ouvidas. São fotos arquivadas em pastas secretas do HD. São mensagens deletadas.

São aqueles que não passarão o 2019 juntos. Nem todos os outros dois mil e tantos quanto eles ainda viverem.

Amores que não são não são e ponto. Não são para serem juntos.

Mas O amor, esse eu ainda acredito que sempre será.

(Ivy Cassa)

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