Amores despossíveis não são impossíveis – aprendi no filme da Alice – a impossibilidade é apenas momentânea, posto que é amor.

São amores Lalaland, fora da realidade, que nem sempre terminam com a concretização do sonho do casal.

São amores Abelardo e Heloisa, calamitosos, justificados por uma vida secreta e proibida.

São amores Romeu e Julieta, “a mais discreta das loucuras”, mas em que o sol, de luto, se esconde ao final de uma tragédia.

São amores “andorinha” de Manuel Bandeira – de quem passa a vida à toa, à toa.

São amores de quem não liga mais de juntar os pés debaixo do cobertor nas noites de frio.

São amores de quem não quer sentir de novo o calor do corpo dela junto do seu numa soneca de conchinha.

São amores de quem não quer mais beber champanhe e comer uvas no café da manhã com ela.

São amores de quem não gosta mais de rabiscar as costas dela com a ponta das unhas só pra lhe causar arrepios.

São amores de quem já não se excita com batom vermelho dela fazendo boca de palhaço em volta da dele depois “daquele” beijo.

São amores de quem não tem coragem de se revelar.

São amores orgulhosos, de quem dá a última palavra e esquece do Amor.

São amores de quem, afinal, ama mais a si do que o outro.

São amores de quem está sempre inventando uma desculpa pra não amar.

São amores de quem não quer experimentar o Amor.

São amores de quem desatentou que o tempo passa e um amor verdadeiro pode ser maior que a vida.

Esses amores despossíveis são um tanto inconvenientes!

Amores despossíveis talvez não sejam nem impossíveis, sequer amores. Alice devia estar errada.

Uma pena!

Mesmo assim, independente do nome que se dê a eles, deixam recordações em quem ama de verdade – de um jeito possível.

(Ivy Cassa)

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