Na verdade, já fui. Você também, mas ficou aí fazendo que não tinha ido pra depois fingir que vinha, só pra ver se eu viria na sua.

Eu não fui. Não fui a namorada, nem a peguete, nem a companheira. Você não foi amante, sequer amigo.

Nós não fomos.

Eu fui aquela que esperou o seu tempo pra ver se você vinha. Mas o seu relógio nunca chegava na mesma hora que o meu. Nem no café da manhã, nem no chá das 5, nem nos porres da madrugada, nunca era hora de vir. E eu sempre ia… dormir sozinha.

Você nunca pôde vir.

Nem hoje, nem amanhã, nem mês que vem.

Nem no verão nem no outono. “No inverno simplesmente não se vai”. E na estação das flores você disse que se recusava a vir.

Você vem no fim do ano? Quando acabar o ano letivo? Ah, quando acabar o doutorado e o pós doutorado. Dos seus filhos-bebês, evidente!

Você virá depois do nascimento do seu segundo neto, filho do bebê-pós-doutor número 2. O segundo, sei. Porque o primeiro neto é pra ficar babando, entendo. Até ele fazer 18 anos. Ahã.

Nós vamos, claro! Você vai até programar uma vinda, não é mesmo?

Vem sim.

Só não vamos juntos.

(Ivy Cassa)

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